A Casa de Irineu: Herança de Barro, Telha e Memória em Saquarema
No coração do Piauí, entre as palmeiras altas e o silêncio respeitoso do sertão, repousa uma casa antiga, de paredes simples e alma profunda. De longe, sua estrutura modesta chama pouca atenção: telhas envelhecidas pelo tempo, um alpendre discreto, muros pintados com cal e chão de tijolos antigos. Mas, para mim, essa casa guarda mais do que tijolos. Ela carrega minha história, as raízes do meu sangue e o eco dos passos daqueles que vieram antes de mim.
Essa casa pertenceu ao meu bisavô, Irineu Francisco de Andrade, nascido em 7 de junho de 1895, filho de Baltazar Francisco de Andrade e Felisbella Rosa de Morais. Homem trabalhador e respeitado, Irineu fez sua vida no campo, de mãos calejadas e espírito forte. Ao lado de sua esposa, Alzira Pereira da Silva (nascida em 31 de outubro de 1897, filha de Solon Pereira da Silva e Maria de Jesus Nogueira Castello Branco), construiu sua família e seu legado naquela casa.
Juntos, Irineu e Alzira tiveram nove filhos — sete homens e duas mulheres — entre eles, meu avô Benedito Andrade da Silva, que levou adiante os valores da honestidade, da fé e do trabalho que aprendeu com seus pais. Outro filho do casal, Sebastião, permaneceu na casa até o fim da vida, mantendo viva a chama da tradição familiar dentro de suas paredes silenciosas.
Essa casa foi palco de tantas histórias: ali se fazia farinha, se criavam animais, se costuravam roupas à mão e se preparava o café na lenha. Foi refúgio nos tempos difíceis e ponto de encontro nos momentos de alegria. Ali nasceram e cresceram gerações. Cada canto guarda uma lembrança: o cheiro do fogão, o som das conversas no alpendre, os cochichos das noites de lua cheia.
Irineu faleceu em 2 de novembro de 1979, em Teresina na casa de sua filha Felisbela Andrade, Piauí, aos 84 anos. Alzira partiu antes, em 27 de setembro de 1965, em Lagoa Alegre, com 67 anos. Ambos foram enterrados no cemitério da família ali pertinho, onde descansam em paz, cercados pela mesma terra que um dia cultivaram com tanto amor.
Essa é mais do que uma lembrança para mim. É um patrimônio afetivo, um elo com minhas origens. Ao ver essa casa, vejo meu bisavô, minha bisavó, meu avô, meus tios e tias — vejo o que fomos e o que ainda somos: filhos da terra, herdeiros da memória.

Comentários
Postar um comentário